Estudo apresentado em congresso nacional da área reconheceu alternativas para o manejo de mamona e mucuna-preta, espécies de difícil controle que podem diminuir a produtividade e afetar a colheita
Uma pesquisa desenvolvida por uma estudante do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), em cooperação com pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), reconheceu estratégias que podem contribuir para tornar mais efetivo o controle de mamona e mucuna-preta em lavouras de amendoim. Plantas invasoras de difícil manejo, as duas espécies competem com a cultura, podem provocar perdas de produtividade e ainda interferir na colheita e no produto final.
O estudo foi desenvolvido por Luana de Oliveira, estudante do 8º semestre de Engenharia Agronômica da UniFAJ, e pelos pesquisadores Augusto Guerreiro Fontoura Costa e Valdinei Sofiatti. Intitulado “Controle de mamona e mucuna-preta com aplicações de herbicidas em pré e pós-emergência na cultura do amendoim”, o trabalho avaliou diferentes combinações e momentos de aplicação de herbicidas para o manejo dessas plantas daninhas.
A pesquisa ganha relevância particularmente em São Paulo, principal estado produtor de amendoim do país. Na safra 2025/26, o estado respondeu por 80% da produção nacional, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Feito em área experimental da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), o estudo analisou a associação de herbicidas aplicados em pré-emergência com diferentes opções de aplicação em pós-emergência. As avaliações ocorreram aos 11, 25 e 39 dias depois de a aplicação dos tratamentos e consideraram o percentual de controle das plantas daninhas.
Entre os resultados, a aplicação dos herbicidas em pré-emergência associada ao uso de imazapic ou da combinação de bentazon + imazamox em pós-emergência apresentou os maiores níveis de controle da mamona. Em algumas das estratégias avaliadas, o índice de controle da planta daninha foi superior a 82%.
Para a mucuna-preta, os melhores resultados foram obtidos com a combinação dos herbicidas aplicados em pré-emergência e imazapic em pós-emergência. Na prática, os achados ajudam a ampliar o conhecimento disponível para o manejo dessas espécies na cultura do amendoim, uma vez que a carência de informações sobre formas de controle pode dificultar a intervenção no campo.
“A mamona e a mucuna-preta são plantas invasoras de difícil controle na cultura do amendoim. Além de competirem com a cultura e poderem provocar perdas de produtividade, sua presença pode interferir na colheita e no produto. A disponibilidade ainda limitada de informações sobre o manejo dessas espécies também dificulta a tomada de decisão no campo”, explica Luana.
De acordo com a estudante, os resultados obtidos podem contribuir para orientar estratégias de manejo mais eficientes. “Os resultados podem tornar o manejo mais eficiente ao indicar quais herbicidas e estratégias apresentam melhor controle das plantas daninhas. Isso pode auxiliar o produtor a fazer escolhas mais eficientes, reduzir a competição com a cultura e, consequentemente, diminuir possíveis perdas de produtividade”, afirma.
Pesquisa desde o começo da graduação
Além dos resultados para o setor agrícola, o trabalho reflete a aproximação entre a formação universitária e a pesquisa científica. Luana iniciou sua trajetória na iniciação científica ainda no primeiro ano da graduação, como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Desde então, participa de atividades de pesquisa sob direção de Augusto Guerreiro Fontoura Costa, experiência que contribuiu para ampliar sua formação para além da sala de aula.
“Iniciei a bolsa no CNPq no meu primeiro ano de faculdade e, desde então, sigo aprendendo muito, principalmente com meu orientador, Augusto Guerreiro Fontoura Costa, que trouxe essa e outras oportunidades para minha carreira”, afirma.
Os resultados do estudo foram mostrados por Luana em formato de pôster no XXXIV Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas. A participação permitiu à estudante compartilhar o trabalho com pesquisadores e profissionais da área e conhecer outras pesquisas desenvolvidas no país.
“Ter o privilégio de apresentar um trabalho desenvolvido conjuntamente com os pesquisadores foi uma experiência única e enriquecedora”, diz Luana.
A experiência reforçou ainda o interesse da estudante em continuar se desenvolvendo na pesquisa e buscar oportunidades profissionais relacionadas ao manejo de plantas daninhas.
Sobre a UniFAJ
Com 27 anos de atuação e mais de 10 mil alunos estabelecidos, o Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) é uma instituição de ensino superior reconhecida com nota máxima (5) no MEC. São mais de 50 cursos, entre graduação e pós-graduação, nas regiões de Saúde, Humanas, Exatas, Tecnologia e Agronegócios, distribuídos em 4 campi em Jaguariúna, no interior de São Paulo.
A estrutura inclui hospital veterinário com atendimento 24h, Centro Clínico de Especialidades Médicas (CCEM), Interclínicas e laboratórios modernos. O modelo de ensino é baseado em metodologias ativas de aprendizado e os cursos contam com através do menos 50% de aulas práticas desde o começo, além de certificações intermediárias e índice de empregabilidade de 97,3% de seus alunos.

