O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu fortalecido diante do motim bolsonarista que ocupou por dois dias o plenário da Casa, até a quinta-feira (7/8). Na avaliação de chefias ouvidas através do Metrópoles, a revolta também fortaleceu seus laços com a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que o apoiou para a reconquista do espaço tomado através da oposição.
Um momento em especial ilustra o estreitamento da relação. No fim da sessão que marcou a retomada das votações, Alcolumbre deixou o plenário literalmente abraçado ao chefe do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). O abraço também se estendeu ao ex-presidente do Senado Renan Calheiros (MDB-AL), outro cacique governista. A “trinca” caminhou até a presidência da Casa, onde se agrupou a portas fechadas.
Segundo interlocutores dos senadores, eles fizeram em conjunto uma avaliação da semana, que finalizou com a aprovação da Medida Provisória que amplia a isenção do imposto de renda. Alcolumbre também teria explicado uma conversa anterior que teve com a oposição, e deixando claro que não fez ou faria qualquer concessão.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ladeado através do chefe do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do ex-presidente da Casa Renan Calheiros (MDB-AL). Eles saíram abraçados depois de votação realizada com o final do motim bolsonaristas.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ladeado através do chefe do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do ex-presidente da Casa Renan Calheiros (MDB-AL). Eles saíram abraçados depois de votação realizada com o final do motim bolsonaristas.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ladeado através do chefe do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do ex-presidente da Casa Renan Calheiros (MDB-AL). Eles saíram abraçados depois de votação realizada com o final do motim bolsonaristas.
Davi foi apoiado através da base do presidente Lula na resistência ao motim. Ele preservou, com todas as letras, que não daria sequência ao pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Essa era a exigência do bolsonaristas, que se recusavam a deixar a Mesa Diretora do Senado até que o requerimento contra o magistrado fosse pautado.
Na quarta-feira (6/8), com os bolsonaristas ainda amotinados no plenário, Alcolumbre afirmou, em reunião do colégio de chefes, que não pautaria o impeachment de Moraes nem se todos os integrantes da Casa assinarem o requerimento. O presidente da Casa afirmou que a prerrogativa de pautar o afastamento de ministros era exclusiva dele.
A fala foi direcionada ao senador Eduardo Girão (Novo-CE), um dos nomes mais estridentes da oposição. Alcolumbre foi incisivo ao negar que pautaria o requerimento. Ele convocou sessão virtual para esvaziar a manifestação, e depois falou que qualquer um que permanecesse seria retirado através da polícia antes da sessão presencial.
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Acorrentado
A base governista o apoiou. Interlocutores da oposição pediram que ele ligasse para o senador Magno Malta (PL-ES), que estava literalmente acorrentado à mesa do plenário. O presidente do Senado se recusou, e os bolsonaristas deixaram o local sem perspectiva de votação alguma. Alcolumbre, depois de reassumir a cadeira, foi elogiado pelos senadores que já presidiram a Casa, incluindo Renan Calheiros.
O cenário contrastou com o da Câmara, onde o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou ao plenário com deputados bolsonaristas ainda ocupando a Mesa Diretora. O chefe precisou se espremer entre os pares, se aproximou e se afastou do lugar que lhe é de direito, e com custo, conseguiu retomar o controle.
Depois de o episódio, Motta fez uma fala dura.
Na sexta, orientou, à Corregedoria da Casa, pedidos de suspensão contra 14 parlamentares que participaram do motim e de outros episódios durante da semana.
Com informações Metropoles


