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Games

Jogos eletrônicos: Denshattack! – Review

3 de agosto de 2026
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Games: Denshattack! – Review

Em uma indústria cada dia mais abarrotada de remakes, sequências e fórmulas manjadas, Denshattack! chega para “reinventar a roda”. A premissa parece uma piada: controlar um trem capaz de fazer kickflips, deslizar em trilhos insanos, correr por paredes e desafiar a gravidade em um Japão futurista devastado pelas mudanças climáticas. O mais formidável é que essa ideia completamente absurda funciona!

Desenvolvido através da Undercoders, o jogo mistura referências claras a Tony Hawk’s Pro Skater, Jet Set Radio, Sonic e aos arcades da era Dreamcast, mas com uma identidade própria. É uma experiência caótica, estilosa e incrivelmente divertida, que faz da criatividade sua maior qualidade.

Um trem que desafia as leis da física

A campanha acompanha Emi, uma jovem maquinista que tenta confrontar uma poderosa corporação em um Japão reconstruído sobre uma gigantesca malha ferroviária. A narrativa existe principalmente para justificar as situações cada dia mais absurdas que surgem durante a aventura – e isso não é um problema.

O foco está plenamente na jogabilidade. Cada fase coloca o jogador sobre trilhos repletos de rampas, curvas, obstáculos e oportunidades para fazer manobras. O trem pode saltar, girar, deslizar por corrimões, caminhar pelas paredes e até dirigir de cabeça para baixo enquanto acumula pontos em enormes combos.

A sensação é parecida com a de um jogo de skate, só que substituindo a prancha por uma locomotiva supersônica. Pode parecer ridículo no papel, mas basta alguns minutos para notar como tudo faz sentido dentro da lógica maluca criada através do jogo.

Um dos maiores méritos de Denshattack! é impedir que a fórmula fique repetitiva. Novas habilidades aparecem frequentemente no decorrer da campanha; conforme avança, aprendemos a usar correntes de vento, inverter a gravidade, percorrer trilhos de energia, explorar novos tipos de obstáculos e confrontar chefes extremamente criativos.

Essa variedade preserva o ritmo elevado praticamente o tempo inteiro. As fases são relativamente curtas, mas conseguem apresentar novas ideias antes que as anteriores se desgastem.

Além de tudo, cada estágio tem vários objetivos opcionais envolvendo tempo, pontuação e desafios específicos, nos incentivando a voltar para melhorar seu desempenho. É uma estrutura que recompensa quem gosta de dominar completamente cada fase.

Tributo aos arcades dos anos 2000

Visualmente, Denshattack! chama atenção imediatamente. A direção de arte abraça sem medo a estética da era Dreamcast, com cores extremamente vibrantes, personagens exagerados e cenários que misturam cidades futuristas, montanhas, templos e paisagens japonesas completamente surreais.

A trilha sonora acompanha perfeitamente essa proposta, trazendo músicas eletrônicas aceleradas que combinam com a velocidade da jogabilidade e ajudam a manter a adrenalina sempre alta. Todo o conjunto audiovisual reforça a personalidade do jogo e faz dele uma experiência difícil de confundir com qualquer outro título recente.

Embora seja acessível nas primeiras fases, Denshattack! não demora para exigir precisão. A velocidade aumenta bastante conforme novas mecânicas são introduzidas, obrigando o jogador a memorizar comandos, reagir rapidamente a obstáculos e planejar seus movimentos para manter os combos ativos.

Em alguns momentos, tanta informação ocorrendo ao mesmo tempo pode sobrecarregar. O jogo utiliza vários indicadores visuais para avisar curvas, saltos e perigos, mas nem sempre é fácil acompanhar tudo durante as sequências mais intensas.

Felizmente, o sistema de checkpoints é bastante bondoso, permitindo repetir trechos difíceis quase instantaneamente sem causar grande descontentamento. Além de tudo, quem busca unicamente concluir a campanha pode ignorar boa parte dos objetivos opcionais e seguir adiante normalmente.

A estrutura baseada em fases e objetivos termina tornando parte da campanha um pouco rígida. Embora exista liberdade para executar manobras, muitos desafios acabam incentivando percursos bastante específicos para alcançar as melhores pontuações, limitando um pouco a experimentação.

A câmera poderá também dificultar a leitura da ação em alguns trechos, em particular quando vários efeitos visuais ocupam a tela ao mesmo tempo. Em certas fases, acompanhar o cenário enquanto executa manobras exige um esforço maior do que precisaria.

Vale a pena?

A proposta de Denshattack! parece absurda, mas a execução demonstra uma confiança admirável. O excelente sistema de manobras, a enorme variedade de mecânicas, a direção de arte inspirada no Dreamcast e a trilha sonora energética transformam uma ideia completamente improvável em uma das experiências mais criativas dos últimos anos.

Nem tudo é perfeito, mas Denshattack! prova que ainda existe espaço para ideias malucas no mercado. Quando elas são executadas com tanta personalidade, fica difícil não sair da aventura com um sorriso na face — e se perguntando por que ninguém pensou antes em fazer um jogo sobre trens capazes de dar kickflips.

Com informações de Portal do Nerd

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