A confirmação recente de raiva em um gato doméstico em Jundiaí e o crescimento do número de morcegos positivos para raiva em Campinas colocam cidades do Circuito das Águas e Área Metropolitana de Campinas em estado de atenção máxima. Em Jaguariúna, profissionais de saúde e clínicas veterinárias reforçam a necessidade da vacinação anual de cães e gatos e da vigilância ativa de animais selvagens.
A raiva é uma das doenças infecciosas mais letais do mundo, com taxa de mortalidade próxima de 100% depois de o surgimento dos primeiros sintomas, tanto em animais quanto em seres humanos. A transmissão ocorre quando o vírus presente na saliva de um animal infectado entra em contato com o organismo, geralmente por mordidas, mas também por arranhaduras contaminadas ou até através do toque da saliva em mucosas ou feridas abertas, o que torna crianças principalmente vulneráveis, já que tendem a manipular animais caídos, doentes ou aparentemente dóceis. Por isso, qualquer exibição suspeita deve ser cuidada como urgência médica, e a profilaxia pós-exposição precisa ser iniciada o mais rápido provável, pois é a única forma de impedir que o vírus atinja o sistema nervoso central, estágio em que a doença se torna invariavelmente fatal.
Primeiro caso em gato em Jundiaí desde 1983
De acordo com a Vigilância em Saúde Ambiental de Jundiaí (VISAM), o gato infectado foi recolhido na área da Vila Arens e desenvolveu rapidamente sintomas neurológicos compatíveis com raiva. O diagnóstico foi confirmado por exame oficial no laboratório de referência estadual.
Esse é o primeiro caso de raiva em animal doméstico (cão/gato) em Jundiaí desde 1983.
Além do que, Jundiaí já havia registrado cinco morcegos positivos para o vírus da raiva apenas em 2025.
Campinas confirma 9 morcegos com raiva em 2025
Campinas confirmou nove casos de morcegos positivos para raiva unicamente nos primeiros cinco meses de 2025, segundo boletim oficial divulgado através da Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com a Diretoria de Vigilância em Zoonoses de Campinas, a circulação do vírus entre morcegos urbanos coloca toda a área em alerta, mesmo sem casos recentes em cães ou gatos no município.
Especialistas alertam que a circulação selvagem do vírus, principalmente entre morcegos, representa risco potencial, já que:
· morcegos positivos podem entrar em casas, escolas, comércios e granjas;
· gatos são predadores naturais de morcegos e poderão ser infectados ao caçá-los;
· o vírus da raiva tem letalidade próxima de 100% depois de começo dos sintomas.
Direção para tutores e população
A Médica Veterinária que tem especialização em saúde integral animal e saúde pública, Dra. Cinthia Murias, reforça:
“É fundamental vacinar cães e gatos todos os anos. Mesmo animais que não saem à rua estão sujeitos a riscos, principalmente pela circulação de morcegos positivos na região.”
Outras orientações são importantes:
· não toque em morcegos caídos ou animais com comportamento anormal;
· registre notificação imediatamente ao setor de zoonoses da cidade;
· mantenha vacinação antirrábica em dia para cães e gatos;
· procure atendimento médico imediato em caso de mordida, arranhadura ou contato com saliva de animal suspeito.
· A Prefeitura Municipal de Jaguariúna disponibiliza vacinação gratuita
A raiva é uma doença onde não existe cura, mas existe prevenção, e a manutenção da imunização em massa é o que preserva nossas cidades protegidas. Em um cenário de circulação viral ativa na área, cada tutor, cada morador e cada unidade de saúde contribui para que casos como o de Jundiaí permaneçam raros.

