Foto: Diego Monarin
Iniciativa proporciona acompanhamento domiciliar a mães de 14 a 24 anos em primeira gestação, baseado em estudo que comprovou impactos positivos no desenvolvimento infantil e no fortalecimento familiar.
Jaguariúna lançou quinta-feira agora (14) o programa “Primeiros Laços”, que tem como objetivo oferecer apoio contínuo a jovens gestantes, em particular as que vivem em situação de vulnerabilidade social. A ação, fruto de uma parceria entre a Prefeitura, o Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), a UniFAJ e a Escola de Enfermagem da USP, estima visitas domiciliares feitas por enfermeiras desde a gestação até os dois primeiros anos de idade da criança.
Origem e resultados comprovados
O “Primeiros Laços” nasceu inspirado no “Family Nursing Partnership”, programa norte-americano que apresentou impactos duradouros no desenvolvimento infantil. No Brasil, a adaptação foi liderada através da professora e pesquisadora Lislaine Aparecida Fracolli, que conduziu em 2017 um estudo randomizado no município de São Paulo para avaliar a efetividade do modelo. “Os resultados mostraram que as crianças atendidas apresentavam melhor desenvolvimento linguístico, habilidades cognitivas mais avançadas e maior prontidão escolar. Além disso, havia um fortalecimento das competências parentais das mães, algo que acompanha a família por toda a vida”, explica Lislaine.
O programa é destinado a mulheres entre 14 e 24 anos, em primeira gestação, com até 20 semanas de gravidez e que realizem o pré-natal através do SUS. Uma das prioridades é atender aquelas em situação de vulnerabilidade social, onde o risco de interrupção dos estudos, dificuldades econômicas e falta de apoio familiar podem comprometer o futuro da mãe e do bebê.
Em Indaiatuba, onde o “Primeiros Laços” iniciou na Área Metropolitana de Campinas, no mês de julho do ano passado, o projeto têm auxiliado com sucesso a jovens. No município, o projeto acompanhava inicialmente jovens de 14 a 20 anos, mas, no mês passado, a idade das que participam foi ampliada para 24 anos, chegando à faixa etária que também será atendida em Jaguariúna.
Foto: Difusão/CISM
Acompanhamento próximo e personalizado
Em Jaguariúna, duas enfermeiras foram capacitadas para fazer até 38 visitas domiciliares a cada gestante, acompanhando desde a fase inicial da gravidez até os dois anos do bebê. Nessas visitas, serão abordados temas como cuidados com o recém-nascido, amamentação, saúde mental materna, estímulo ao desenvolvimento infantil e planejamento da rotina familiar. Segundo Lislaine, o atendimento domiciliar é fundamental para que as orientações sejam adaptadas à realidade de cada mãe. “Não vamos para a casa para fiscalizar, e sim para construir, junto com a gestante e a família, um ambiente seguro e estimulante para a criança, mesmo quando há limitações materiais. O foco é capacitar essa mãe para que ela se sinta segura e confiante.”
Foto: Igor Carreira/Difusão UniFAJ
Expectativas para Jaguariúna
Para Adriana Tebaldi, gestora do curso de Enfermagem da UniFAJ e supervisora do programa no município, a implantação é também uma oportunidade de amplificar a atuação da rede municipal de saúde e aproximar a universidade da população. “O projeto aqui em Jaguariúna começou os treinamentos em 2023. Vamos fazer o acompanhamento dessa gestante no município e ver a evolução do desenvolvimento infantil dessas crianças. Utilizaremos a rede de atenção primária à saúde da cidade, mas teremos duas enfermeiras visitadoras pro projeto. E a gente tem um grupo de pesquisa que vai avaliar essa evolução do projeto no município”.
Jovens gestantes que se enquadram nos critérios precisam procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Também é viável conseguir informações através do WhatsApp (19) 9 9568-8845 ou através do e-mail primeiros.lacos.cism@gmail.com.


